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Homenagem Póstuma

 

Por J.G .Breda

José Maria da Nave e Costa. “Zé Maria” como era conhecido, nasceu em Portugal em 18 de Dezembro de 1929. Veio para Porto Alegre ainda criança onde cresceu e estudou. Trabalhou sempre no ramo de transportes. Casou-se com D. Donica com quem teve três filhos, Antonio (que já foi campeão Paranaense e Brasileiro), Rogério e Célia.

O “Zé” sempre foi um amante da pesca. No Rio Grande do Sul foi filiado ao Biguá Clube de Pesca, de Porto Alegre. Veio para Curitiba em 1976 filiando-se ao Alamoana Clube de Caça e Pesca Submarina. Mas para mostrar o que significou o “Zé”para o esporte da pesca no Paraná temos que começar pela fundação da nossa Federação onde consta assinatura de José Maria da Nave e Costa, por ser Árbitro, como presente a assembléia.

Acompanhando Edson Teto, primeiro presidente da Federação, foi o responsável pela 1ª Copa Atlântico de Pesca de Praia, 1 º departamento de Pesca com Iscas Artificiais, 1ª Prova mista da Sudepe no Capivari - Cachoeira, depois Prova do ITCF e posteriormente Prova Aberta do Ibama. Com o Professor Eládio Del Rosal foi quem lançou a idéia dos peixes marcados. 1ª Prova Aberta Fedato Sports. Viajando e dormindo dentro de uma Caravan, junto com o Teto, elaborou os estatutos para a fundação do Clube de Pesca de Icaraíma, Porto Camargo, Umuarama, Guaíra, e regularizou o já existente Cataratas Iate Clube de Foz do Iguaçu. Homologou os primeiros recordes de pesca do nosso Estado. Disputou o primeiro Campeonato Brasileiro pelo Paraná em Florianópolis em 1981.

Em 17 de Setembro de 1981 fundou o Gaúcho Clube de Pesca sendo este o primeiro Clube exclusivamente de Pesca de Praia, já que os outros existentes, Arpoador, Alamoana e Ouriço, disputavam pesca submarina. Organizou e dirigiu o 1º Campeonato Paranaense de Pesca e Lançamento em 1982. Disputou o Campeonato Brasileiro de 1983, acontecendo aqui um fato inusitado, tendo noticias de que Paulistas e Cariocas iniciavam um movimento para desclassificar o Paraná por ser ele estrangeiro, não teve dúvidas, num ato de amor ao nosso esporte e ao pais que o acolheu ainda menino, naturalizou-se brasileiro para poder defender nosso Estado.

Foi capitão da seleção composta por seu filho Antonio, Edson Deconto, Mauro Schuasterburd, Otto Loest, Otaner Luiz Bot e Álvaro Aguiar, que sagrou-se Campeã brasileira de 1985. Disputou e dirigiu todos os Campeonatos Paranaenses, sendo como nosso primeiro Ärbitro o responsável pela organização e aplicação das regras de pesca então emanadas pela Cosapyl, (Cofederacion Sudamericana dy Pyesca y Lançamiento), hoje regras da CBPDS. Organizou e dirigiu o 1º Campeonato Paranaense de Casting, fez parte do Clube, Os Amigos do Casting, foi por muitos anos o Árbitro responsável pela Copa Desafio de Pesca ao Dourado, do Cataratas Iate Clube.

Em toda sua trajetória de Atleta Pescador conquistou mais de 100 troféus. Polêmico, teve sérios atritos com dirigentes e atletas de clubes de pesca por defender com intransigência as regras de pesca mesmo que fosse para o melhor amigo. Cabe aqui um relato: No dia de realização de uma prova aberta do Ibama, seu filho Antonio mais o Marcos Quintas, foram apanhá-lo de madrugada. Sabendo que ambos pertenciam disputar a prova desclassificou-os ainda no carro, dizendo que não permitiria sua inscrição na prova por que ambos pertenciam a Clubes diferentes. Os dois pescaram mas não participaram da prova. Lembro-me que no domingo às vésperas daquele fatídico dia 15, quando o pai de um atleta foi discutir a punição de um lançamento de Casting, de que poderia relevar e agir com menos rigidez, teve como resposta: meu amigo eu só aplico as regras de Pesca e Lançamento.

Tive a honra de ser seu amigo e por sua insistência me tornei Árbitro. Muitas vezes às vésperas de uma prova ou torneio importante, pedia seus conselhos e sempre tive como resposta: meu filho, você não pune ninguém, é o atleta ou clube que se auto pune por não seguir as regras oficiais ou regulamentos. Aplique o que esta na regra e durma tranqüilo, pois você nunca vai poder contentar todo mundo mesmo.

Assim era o “Zé”, e posso afirmar com certeza, foi uma perda irreparável, muito do que aconteceu no nosso esporte teria sido evitado se ele estivesse entre nos. Mas tenho certeza de que lá no alto, onde ele está, aquele “pescador” que segura as chaves da porta de entrada do Paraíso, se ainda pescar, não o estará fazendo com redes, pois lá estará o nosso velho e querido “Zé” ensinando-o a pescar esportivamente.

Descanse em paz meu bom e querido amigo.

(* 18/12/1929 + 22/07/1996).

 

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